Moça eu te amo, mas o tempo não perdoa,
Conforme o esquecimento bate, não há paixão que lhe cure.
Fui cego por amor arranquei o sentimento do peito e te dei, 
Chorei pela linda flor que no jardim da praça eu colhi.
Amarrei ao colo do teu útero toda chance de prover.
Aproveitei-me da dor para começar a escrever.
Quando cessou a cola branca que nos grudava e ejaculava em tesão.
Cessou-se o iludido batimento que matou meu coração.
Safadeza ou descaramento á quem me acuse eu digo não,
não tenho culpa de possuir o dom agourento, 
de fabricar sentimento e concretizar emoção. 

Soneto de um ex-MACHO.

Ela dorme na cama ao lado.
Poderia ter satisfeito seu desejo.
Não haveria nada de errado,
mas a moral falou mais alto.

Os amantes clandestinos,
Satisfazem-se gemendo o bom brado,
em voluptuosos anseios suculentos
ou nos vicejantes pastos baixos

Mas a moça não se satisfaz
Procura o que não quer achar.
Prende-se numa construção interna,
sôfrega pantera ronrona ao se arranhar.

Nomeio-me o rei dos bobos da corte.
Quebrar em mim a sede dos machos de plantão.
Observo-a dormir sorrindo como um forte.
Declaro-me por hoje humano por atuação.

Invertendo e inventando

Ai sim eu você e Chico
ao som do café com pão 
a beira dos lençóis brancos
fumando um violãozinho
enquanto o unzinho tocar
Nus, nós três, á sós
dentro do Domingo fresco
naquela manhã de quarto.
mergulhando nas janelas
e o mar de frescor aberto
deixa a luz de manteiga entrar.

O preconceito linguístico é vendido por quilo.


Na censura das palavras,
habita a morte do dialogo.
Alertou-me o poeta do recôncavo.
Serei pobre de-mente caso,
ceda ao politicamente correto?

Entendo-lhe!
Sei o quanto pesa o preconceito
e a força que a palavra tem.
Porem tenho a subjetividade
que protege-me ao senso comum.
O intento é bem mais forte
que o poder do simbolismo.

Não posso me negar o uso de termos
sempre que incomodam alguém.
Respeito à dor de suas veias ancestrais.
Saiba que são as minhas também.
Mas no ato de ressignificar,
está a força que o poeta tem.

A chibata do desentendimento mutuo nos castiga
assim como os açoites do pelourinho.
Sou nego,preto,escurinho,crioulo,mulato,carvão.
Sou biscoito queimadinho o mais gostoso da fornada,
Lutarei contra todos os preconceitos que puder inclusive o da palavra.

Do nego eu nego a submissão.
Do preto do céu noturno vejo estrelas.
Do escurinho eu dou carinho e receberei
o calor e a ternura do seio da preta que tanto amei.
Do crioulo ouço a musica que me faz refletir questões sociais.
O mulato sou eu tu e todo ser,
que nasce e vive ou mesmo morre também,
Degenerado é ninguém e todo mundo é alguém.
O carvão é da ponta do lápis que escrevo meus versos,
Criador de sabedoria e futuro diamante.
O próprio carvão existente no escrever este texto,
Destrói o peso da intolerância arraigado em seu nome

2 notas

Vou-me embora para O Boteco poético!

Vou-me embora para O Boteco poético!

Lá sou amigo do Rique.

Lá tenho minhas leitoras.

No tema que quiser me expor.

Vou-me embora para O Boteco poético!

Vou-me embora para O Boteco poético!

Pois aqui eu não sou livre.

Lá o parto poético é natural e voluntario.

Que o Zé da construção no fim dia é

pariçeiro de bêbados e lunáticos ensandecidos

E assim a poesia se vive.

Lá tirarei minhas vestes,

Contarei minhas aventuras:

Amorosas, físicas, metafisicas, surreais.

Tomarei o vinho dos ébrios.

E quando eu me cansar.

Cansar-me? Enquanto vivo jamais.

Se me cansar de poesia,

cansaria-me de viver.

Quem nos conta historia

é o cachaceiro João do bar da esquina

que nos encanta e inspira.

Vou-me embora pro Boteco poético!

 O boteco está repleto,

Variadas coisas mais belas

Lá tem conto, prosa e verso.

Poema e mulher bonita

Que é poeta também.

Lá tem o direito de

se livrar dos direitos

e dos esquerdos também.

Se sentindo bem à vontade

por não dever a ninguém.

Quando a melancolia,

bate ao final do meu dia,

A inspiração não vier acudir

e eu  perder a vontade de escrever

_Lá sou amigo de todos_

Lerei o sentimento que quero.

E o animo restaurarei.

Vou-me embora pro Boteco poético!

Uma corruptela do poema de Manuel Bandeira.

Por: Gilberto Santos de Souza.

Retrato psicografado através do espirito de uma planta morta.


Como pode pobre sertão produtivo?

Como pode rico sertão indiferente?

Como pode jovem sertão criativo?

Como pode velho sertão ignorado por tanta gente?

Como pode eu nato, eu vivo?

Como posso?

Eu nasço eu gente!

Eu sobrevivo ao apertadamente.

Como pode

em solo infértil,

Se planta semente?

Onde Boi pasta sossegado.

fazendo daqui seu cercado.

Comendo frutos do trabalho de gente.

Mas nós macambiras

que temos raízes

na vegetação rasteira

dessa caatinga

resistimos à falta d’água.

e as serras que desmatam.

Damos flor pra chamar

 atenção á razão humana.

Talvez um dia nos livros ou mesmo em lira,

venceremos os vencedores

E não mais será registrada Histórica mente.

HISTORICAMENTe IRA!

Á quem olha :


Na quina do canto esquerdo da lousa de vidro.
Naquela sala no lado direito do prédio branco.
da instituição acadêmica no alto da ladeira norte.
Um panorama incrustado poderia se observar.

A riqueza dos detalhes reflete a complexidade.
Tal qual dizia Morin o todo feito de partes.
Atrevo-me a tentar descrever esta visão no papel.
Do Ying Yang formado pelo conjunto da obra
em que as luzes da cidade invertendo a polaridade,
contrapunham-se assim á escuridão do céu.

Essa é para as ébrias e companheiros de madrugada.

Foder

quem quiser,

lhe dar

prazer.

Talvez seja,

a maior prova

de respeito

que a mulher

possa ter

consigo mesma.

Galega doce

cara de bolacha,

traquinas

por sua natureza.

recheia-me de desejo.

de carinho deixa,

sua própria marca.

transitamos

pelas ruas

onde transam

os carros

voamos

por onde

os pássaros

se aninham.

Visito-a 

em diversos sentidos.

porta a dentro,
seu lar.

e seus lugares

mais íntimos.

levo-lhe o que ler 

e  faço de minha
carne poesia

escrevendo-me nas linhas

curvas de seu corpo.

Então que se fodam

as  convenções  sociais

e  nos  fodamos 

em praça publica.

Evoé!o

1 nota